quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ilusão..


Minha liberdade me destroe. Me sinto infortunada, cansada e sozinha nesse espaço oco e vazio, cheio de vozes, luzes, sapatos e dentes. Dentes que brilham.
A grandeza desses corpos estranhos se movimentando enquanto eu me sinto em velocidade abstrata, enquanto o tempo, os corpos, e vento e tudo estão lentos. Sopra esse vento gelado nos meus cabelos, sopra o sopro mentiroso dessa existência. Existir num espaço de tempo contado. Existir na contagem regressiva de não mais existir. Existir na contagem de um tempo que não existe.
Pra que viver, se podemos o tempo todo apenas existir. Existir pros outros. Se doar pro outro.
Ter medo do escuro, e quando alguem apagar a luz, esperar que alguem te ajude a acendê-la novamente.
Eu andei pensando sobre a existência do meu vazio. Dentro do meu vazio eu guardo tanta coisa. Dentro do meu vazio existe mais do que de dentro do que está cheio. O vazio é tão mais infinito, incerto, incorreto, incolor. Dentro dos meus olhos vazios existem coisas que você jamais poderá ver. Dentro dos meus olhos vazios existem tantas imensidões. Dentro dos meus olhos vazios se você nao entender, não digo nada a respeito. Tambem pode ser que o que você tenha visto possa ser uma ilusão(...)

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